segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Igrejas da Prosperidade

Uma vez tomei um susto ao pensar na pobreza do nosso país. Eu já estou cansado de assistir imagens de crianças brincando em valas negras, mães sentadas em escadas do metrô com aquela mão em concha pra cima, dos meninos de rua, das viúvas lamentosas escorridas nos portões católicos que acobertam um fundo enevoado e tão misterioso quanto esquecido...

Essas imagens já não forçam nosso pensamento. Elas são culturais. Achamos filas de pobres na festa de São João algo comum. Achamos que o sofrimento é deles, e é mesmo. Quem lê este e muitos outros blogs certamente não está em condições de sofrer daquele jeito.

Para derrubar tudo isso entrava em cena, de uns 10 anos pra cá, toda a pompa das igrejas evangélicas do novo século, cujos apresentadores hoje em dia não fazem nem mais menção de esconder a prataria e a ourivesaria como pertences. Chega ao ponto do escândalo, quando se ouve falar dos "bispos" da RENASCER e suas propriedades. Coitados... imagino que lá eles deviam cuidar de um bando de pessoas carentes... ha ha Era patético a tentativa de suas explicações naqueles programas de TV tipo Sônia Brandão, onde a popularidade é alta e as mentes se esforçam pra desenhar um círculo.

E então, desses 10 anos pra cá fiquei abismado como a pobreza cresceu, mas agora... dentro da riqueza! Não é de admirar quando paramos pra pensar quantas pessoas estão encantadas com o Senhor Jesus Cristo, o redentor, o papa dos negócios - segundo uns best-sellers de bosta, que faz prosperar nos negócios e coloca carro na sua garagem. Essa prosperidade se ergue para falir um õrgão principal: a mão.

A mão é um órgão de ajuda e muitas vezes serve pra tirar uma pessoa da lama, pra dar um aperto forte quando alguém precisa. Esse órgão passou a ser usado para levar dinheiro ao altar, depois levantar as mãos aos céus, e depois esticar pra receber de volta esse dinheiro duplicado. Eu não sei porque eu não poderia chamar algum fundo de aplicação de Minha Igreja... que é a mesma coisa.

A pobreza agora é espiritual, a horda de crentes é ao mesmo tempo uma horda de porcos que choram sua inutilidades, tocam seu coração e lamentam que não são nada comparados ao esplendor divino. Esses porcos nunca se ajoelhariam em um chiqueiro se lhes coubesse, porque não convivem em um. Eles estão acostumados a entrar no palácio de tapete vermelho e ali, com a esperança da troca da prosperidade, inflingirem algum aspecto, trocarem um soneto de choro com os céus para serem ouvidos.

As Igrejas da Prosperidade pra mim superaram meu conhecimento de pobreza. Jamais vi tanta lama camuflada em ouros, gravatas, clamores. Essas escórias nunca são flagradas tentando entender um lado humano chamado: baixa renda. Que não significa pobreza e não significa infelicidade! E se fosse, seria melhor ser infeliz com a certeza de uma vida injusta que a felicidade dos tolos que se apóiam na massa para compartilhar o que não sabem. Não sabem de onde vieram, não sabem pra quem reclamar, não sabem se vão votar, não sabem aonde vai dar a vida... tudo o que sabem é que só Deus sabe. Esse tipo de gente só serve pra fazer os homens do negócio prosperarem. Elas não enriquecem Deus, e nem se enriquecem de Deus. Elas só servem pra pastar o que está estirado pra elas. Elas não passam da cerca, porque é cômodo, como para todo rebanho, abaixar a cabeça e esperar de Deus a sombra, a água e, claro, o condutor... o pastor.

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